segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A fórmula básica


As viagens à Lua, a criação do Deep Blue, o acelerador de partículas, as pirâmides egípcias, o Google Street View. Todas são conquistas que a humanidade, em milênios de história, já alcançou. Mas, o avanço de tecnologias e o conhecimento científico voraz não têm, absolutamente, nenhuma relação com um possível movimento similar na psiqué do ser humano. Qualquer criança de 12 anos, hoje, sabe mais sobre a natureza e as coisas do universo do que Platão em seu tempo. Mas, isso não altera em nada a composição mental que, mesmo sem saber, ou muitas vezes admitir, está em nós.
Numa comparação simples, em relatos de dois, quatro, dez ou mais mil anos atrás, já estavam lá a ganância, corrupção, egoísmo, violência, guerras e várias outras características que, geralmente, mais atrapalham do que ajudam a humanidade. Não tivemos, em 120 mil anos de evolução, nenhum avanço nesse sentido. Está tudo aí, igualzinho.

No relacionamento entre homem em mulher, as feministas do mundo ocidental seguem lutando por um equilíbrio em direitos e reconhecimento das mulheres. Isso é bom, fundamentalmente na vida profissional. Claro, as mulheres têm as mesmas ou mais faculdades para dirigir famílias, empresas, países etc. O engraçado é que, também nisso, surgem flashes daquilo que (vai saber) realmente está na fórmula do ser humano e nunca vai mudar.

Casal 20

Um exemplo brasileiro: o “célebre” ex-casal Luana Piovani e Dado Dolabella. A primeira tem um temperamento agitadinho e tendências ligeiramente narcisistas. O segundo é um típico playboy, filho de famosos, notório por viver atrasando e prejudicando gravações em que participa, já ter dado uma machadada na mesa de entrevistas do João Gordo, batido na Luana Piovani (e a Justiça o condenou por isso), batido na camareira, e batido na ex-atual mulher. Enfim, um cara agradável. No mais recente factóide, Dado bebia com amigos num bar e Luana também foi lá.

Ao avistar o ex, segundo o site do jornal Extra, a atriz berrou: "Segurança, tira esse cara daqui, tira ele daqui! Gente, tira ele daqui!". Ao perceber que ninguém faria nada, restou a ela e seus amigos irem para outro lugar. Dado sabe que Luana frequenta o tal bar e tem o hábito de telefonar para o local na intenção de evitar um encontro, mas nesse dia, não. Esse cuidado ele toma não porque é muito legal e não gosta de brigas. E sim porque o Primeiro Juizado de Violência Doméstica Familiar decidiu que ele deve se manter pelo menos a 250 metros de distância da atriz.

Como explica o advogado Marcelo Salomão: "Se Dado estiver dentro de um avião e a Luana chegar, ele tem que sair porque ela é vítima". Talvez um pouco estranho, mas é a lei. E ele fez por merecer. Mas, onde a fórmula básica do ser humano se manifesta? No fato de que, no tal site, em uma simples observação, 99% dos comentários femininos detonam a Luana, chamando ela de mil coisas, xingando como se ela fosse uma canalha.

Uga-uga
Isso só pode mostrar que a maior parte das mulheres gosta, sim, desse tipo de homem machista, que bate em mulher, apronta todas, mas chega com charminho depois e resolve tudo na cama, igual letra de música sertaneja. Senão, como explicar essa defesa? Por que as mulheres ficam raiva da outra, que apanhou do cara? Parece dois mais dois igual a cinco! Mas, é a lógica dos hominídeos que está em nosso cerne. Lembra aquela mulher levando com uma clave na cabeça e sendo arrastada pra dentro da caverna?No fundo, é o que ainda somos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Profecia cumprida (mas essa era fácil)



Um texto que escrevi em 2002 me soou como uma previsão nostradâmica realizada. Mas, convenhamos, o caso citado não teria mesmo outro desfecho. Relembrando:

Kelly Quem?

“Eu já estou batalhando por isso há quatro anos”. Uma frase como essa, se proferida por um universitário que acaba de se formar, ou talvez por um paciente que consegue vencer a luta contra uma doença difícil, é plena de significados e realização.
A objeção existe porque a sentença veio do mais novo produto da voraz mídia brasileira moderna, Kelly Key. Cabe o questionamento, que batalha? Que guerra? A cantora credita o fato de estar nas paradas de sucesso como resultado de um esforço artístico pela divulgação e viabilização de seu trabalho.

Em um país onde uma simples cabeleireira, por se vencedora do programa No Limite, passa a ministrar palestras em escolas (e os temas abordados não são novas técnicas de corte), então está tudo bem. Kelly Key é a bola da vez. Presença garantida na TV, músicas nas rádios, fotos em revistas, agenda de shows programada por meses e até planejamento para um carreira internacional. Tudo feito por empresários astutos e coerentes com a triste realidade do mercado cultural brasileiro, que aceita tudo o que lhe é “oferecido” goela abaixo.

A frase da cantora foi dita enquanto participava do programa É Show, comandado por Adriane Galisteu (diga-se de passagem, não fugiu à regra e deve 90% de sua projeção atual ao fato de ser namorada de Ayrton Senna no período do acidente fatal). No mesmo sofá, estavam Zico, Amado Batista, Giulia Gam e Netinho.

Os outros convidados precisaram (uns mais do que outros) saber fazer bem alguma coisa. Compor, cantar, dançar, jogar futebol, atuar. Kelly Key não possui, infelizmente, nenhuma das qualidades citadas. Suas letras são tão complexas como o funcionamento do organismo de uma planária, sua voz é a de uma adolescente sob efeito dos hormônios típicos da idade, dança tão bem como Fred Astaire o faz, atualmente. Resta-nos o consolo, seu sucesso tem data para extingüir-se assim como teve para começar.