terça-feira, 7 de agosto de 2012

Mudou a cor da grama


Pode parecer idiotice. Mas a verdade é que estou tão acostumado com a cultura da Rede Globo aberta que se a Olimpíada não passa lá, parece que não está acontecendo de verdade. Fica distante. A Globo e o Galvão Bueno estão cobrindo a Olimpíada via Globosat, mas não é a mesma coisa. 

Lá, com seus convidados, parece que ele está no quintal, no lavabo, não é como se estivesse na sala de visitas agitando, gritando, esperneando e fazendo o povo brasileiro virar uma torcida de verdade, com sentimento e sofrendo por seus atletas. Ele é chato? É. Mas não há locutor com maior empatia com a nação brasileira do que ele... Gostem ou não.

O brasileiro nunca foi muito entusiasta de esportes olímpicos, mas aos poucos essa tradição vem crescendo. Prova disso é que as últimas duas Olimpíadas tiveram as duas maiores delegações brasileiras enviadas aos jogos: em Londres são 259; na China eram 277. E, se tem alguma emissora com papel determinante no processo de “olimpização” brasileira, é a Globo. A Record, detentora dos direitos na TV aberta, está fazendo uma cobertura ok. Acho ótimo que eles melhorem cada vez mais e representem uma alternativa na TV aberta, empurrando a Globo na parede. Mas, ao mesmo tempo, fico feliz em saber que a Copa do Mundo de Futebol será transmitida pela Globo em 2014, 2018, 2022. Se não fosse pela qualidade profissional dessa emissora mundialmente reverenciada, diria que “globodependência” é quase psicológica.

Atmosfera olímpica

Galvão. Ele mesmo.
Galvão. Ele mesmo.
Uma questão de tradição. Enquanto telespectador, a informação pode ser conseguida do mesmo jeito, na internet, ou depois de achar a Record na TV (em casa, seria canal 519? Alguém sabe de cor?). Mas quando a informação está na Globo, parece que ela vem até você, e não o contrário. Por aí, a gente ouve alguém perguntando: “Você viu o brasileiro no judô?”, e a resposta é quase sempre “não”. Parece que ninguém está vendo nada mesmo! Mas, se fosse na Globo...

O que faz diferença nesse caso não é necessariamente ter o Galvão ou uma estrutura jornalística invejável, mas, sim, ser top of mind, líder absoluta em audiência em praticamente todos os horários do dia, principalmente quando passa suas novelas esterotipadas, piegas e apelativas. As televisões são ligadas e, em geral, o primeiro canal visitado é o da Globo. Ou seja, se ela quiser, faz o povo abraçar as Olimpíadas, o que é muito mais saudável para a diversidade de modalidades esportivas do que meter goela abaixo esses trogloditas do UFC e futebol acima de todos os esportes. (In)felizmente, as Olimpíadas 2012 estão nas mãos da Record, mas até que ela se torne páreo ou lidere as preferências, queria mesmo é curtir a atmosfera olímpica que a Globo teria maior sucesso em criar.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Quem precisa de uma SUV?


Rotina de quem tem uma SUV...
Rotina de quem tem uma SUV...

Perguntas rápidas: será que o mundo tem mais espaço sobrando hoje do que há 50 anos? As cidades estão mais vazias hoje do que há 50 anos? Existem mais recursos naturais agora do que antes? Nem precisa pensar muito né? A resposta é não! A ocupação de espaço pelo homem não está mais ordenada ou justa a cada dia que passa, infelizmente. Como consolo, sabemos que milhares de pessoas engajadas (todos deveríamos ser) gastam energia, dinheiro e tempo para protestar e combater atitudes que não prezem pelo bom senso em relação aos rumos do planeta. 

Graças a Deus, baleias, golfinhos, araras azuis, mangues, bromélias, castanheiras, jequitibás e demais seres vivos em extinção têm que os defenda. Mas, enquanto isso, na vida urbana, outra grave praga vem agindo na contra-mão da história e da civilização: os carros grandes. É isso mesmo. Carros, os grandes. Aqui usei de eufemismo, porque na verdade estou falando de verdadeiros gigantes sobre rodas. Banheiras gigantescas, quase deformadas e desproporcionais que chegam a quase cinco metros de comprimento por dois de largura. Medidas de um razoável dinossauro triceratops. Nesses “carros” podem até caber sete pessoas, mas é quase impossível achar algum andando por aí com mais de duas. É a febre dos SUVs (Sport Utility Vehicle) que dominou corações, mentes e ruas. 

Tudo bem, tudo bem... Podem justificar dizendo que são carros para viver na cidade e também encarar terra e lama. Aham, sei. Mas afinal, todos os que têm SUV são do tipo aventureiros e vivem em terras alagadiças? Uau! O ecoturismo deve realmente estar em alta! Convenhamos, a maioria das pessoas (não entram na lista famílias realmente grandes e fazendeiros genuínos) compra SUVs por um desses três motivos: 1) Querem aparecer com uma geringonça enorme nas ruas. 2) Pretendem compensar a reduzida dimensão de algum órgão do próprio corpo. 3) Porque se rendem àquelas toscas propagandas em que o carro vem todo selvagem, abrindo picadas na mata, derrapando na lama, saltando crocodilos e pula nervoso em uma estrada asfaltada, pronto para correr em direção a uma cidade completamente vazia que está no horizonte, desenvolvendo 150 km/h (velocidade proibida até em estradas), desfilando toda sua testosterona. Realista não é mesmo? Parece piada, mas funciona pra muitos. Ok. Você gosta? Acha bonito? Tem dinheiro? É um fetiche?

Esse aí já ganhou de todo mundo
 Compre e seja mais um a ocupar quase uma faixa e meia nas já abarrotadas ruas de São Paulo. Seja mais um a impedir com seu tamanho que as motos passem livres pelos corredores. Seja mais um a impedir que a pessoa do carro estacionado ao lado tenha o direito de abrir a porta. Seja mais um a estacionar em seu prédio e deixar ou o bico ou a bunda do carro para fora, atrapalhando a passagem de todos os demais. E pra seu próprio benefício, seja mais um a rodar horas até achar uma vaga para jamantas estacionarem por aí. Sem falar que essas coisas são tão altas que, como disse um amigo meu, devem provocar vários atropelamentos e nem percebem, porque não dá pra enxergar quem está embaixo. 

Todo esse drama não é apenas a perspectiva de quem acha que certos sãos os europeus, com carros pequenos, práticos, ágeis, realmente inteligentes. As cidades realmente não precisam de SUVs (apesar de as montadoras continuarem a querer mais dinheiro) e na verdade nem quem às têm realmente precisam delas. As cidades estão superlotadas! Metrôs, ônibus, ruas, avenidas, todos temos que nos espremer em algum momento para ir de um lugar a outro. Logo, aumentar a pressão e comprar um carro do tamanho de dois só pra satisfazer o status egocêntrico é lamentável. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), São Paulo tinha, até abril, 7.259.834 veículos tentando se deslocar pela cidade, e aí vão carros normais, ônibus, caminhões, reboques, camionetas, caminhonetes, motos diversas etc.

E aí, cabe mais um... bem grande?
O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran) diz que, na Capital, a velocidade média no horário de pico das manhãs de 1980 era de 27 km/h. Em 2008 caiu para 17 Km/h. A média anual de congestionamentos nas manhãs, em 2001, era de 71 Km. Em 2011 já chegamos a 80 km. Ou seja, continuando esse ritmo, a coisa toda vai parar de vez em uns 15 anos. 

Diante dessa maçaroca toda, enquanto movimento pró-bicicletas e ciclovias luta pra ganhar espaço e otimizar a vida no asfalto (além de contribuir com zero emissão de carbono), vem alguém e conclui: “não preciso de tanto espaço no carro, mas vou comprar um carro gigantesco assim mesmo. Tá na moda e impressiona as gatinhas”. Isso é praticamente um crime! Esse mesmo tipo de egoísmo é o que impede países ricos de abrir mão de seus lucros e investir dinheiro em países em desenvolvimento. É o egoísmo que faz as madeireiras seguirem acabando com a Amazônia e Mata Atlântica, só pensando no lucro rápido. Se você tem um SUV porque realmente cruza zonas rurais ou porque sua família é realmente grande, menos mal. Mas se você tem um desses por algum desses outros motivos, pare e pense, pelo menos: “preciso mesmo disso?”.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Polêmicas na rede


Redes sociais são um fenômeno popular do século XXI. Um sucesso absoluto de comportamento, passageiro ou não, em todo o planeta. Mas, na verdade, o show não está nos sites em si ou nas ferramentas, mas sim nas pessoas! São elas que movimentam tudo e dão vida para essas redes (aliás, por isso sou contra o termo “orkutização”, já que o que acontece é a “internetização das pessoas”, mas essa é outra discussão...). 

Voltando, pelo que observo, a vida na rede social anda movida principalmente por polêmicas, de todos os tipos. São provocações sobre futebol, cor, origem, preferências de todos os tipos e, uma que particularmente me atrai: fé. Para se ter uma ideia, existem páginas no Facebook como a “Anti-ateísmo”, assim como “Ateus do Brasil”, “Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos” e derivadas. Essas páginas são criadoras de pequenos memes que, basicamente, provocam o grupo contrário. A minha orientação me levou a “curtir” uma dessas páginas, e passei a ver constantes atualizações dos moderadores. No começo, eu havia gostado muito. Fiquei interessado, senti como se fosse membro de um partido político e compartilhando opiniões com milhares de outros militantes, unidos em torno de uma ideia e prontos para combater os “adversários” com argumentos, argumentos e mais argumentos. Todos irrefutáveis e, provavelmente, chatos. 

Depois de um tempo acessando as publicações, cheias de ironias, fotos de filósofos (ora usados por um grupo, ora por outro) acompanhadas de suas frases (altamente contestáveis) e, principalmente, depois de ler os comentários em cada uma delas, tirei a opção de ver todas as atualizações. Alguns dias depois, acabei desfazendo minha ligação com o site.

Cheguei à conclusão de que um debate virtual sobre fé, daquele jeito, fomentado por moderadores com informações tiradas sabe-se lá de onde, reforçando conceitos muitas vezes carregados de preconceito, apontando para gente que não sei nem quem é, não chegará a lugar nenhum. Jamais. É um desgaste inútil de vida. Não vale a tecla. Mas o chato é que alguns de meus contatos estão nesses sites, compartilham aquelas coisas de novo, e acabo lendo.


A última que chegou estampava uma foto de Darwin, dedo em frente ao rosto exigindo silêncio, com uma apresentação: “Contra o obscurantismo medieval e pós-moderno – Então você refuta a Teoria da Evolução? Conte-me sobre todos os livros sobre o assunto que leu, todos os debates que participou, todos os artigos científicos publicados e sobre os ‘métodos científicos’ que você anda usando!”. Vamos supor que alguém resolva colocar lá a bibliografia lida (154 livros), debates (35), artigos publicados (14), método: o científico. Isso iria resolver a polêmica? Jamais.

Pois é, as polêmicas talvez nunca morram, e eu não perco a chance de discutir uma. São úteis e ajudam a construir os pilares sobre tudo o que você acha sobre o que quer que seja. Mas aí vai uma diferença: se vai discutir algo, saia da rede social e troque a ideia cara a cara, frente a frente, olho no olho, argumentando com o que você sabe e está na sua mente, com respeito, autocontrole e vendo a reação do seu interlocutor, mudando de ideia ou não. Essa polêmica é saudável e todos saem ganhando (até quando saem perdendo). Como diria Sócrates: “Só sei que nada sei”.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A corrupção me pegou



"Crime, futebol, música... Também não consegui fugir disso aí. Eu sou mais um". Mano Brown, o maior poeta do rap nacional, apesar de contrariar as estatísticas e representar uma rara voz da periferia (apesar de atualmente evitar esse peso) também reconheceu sua fraqueza humana. Pois, com as devidas proporções guardadas e ciente de que nunca fui santo, lamento informar: a corrupção me pegou. Também sou mais um. Passei anos de minha vida vociferando contra aqueles que compram CDs piratas, furam filas, enganam o Fisco, não devolvem troco errado (pra mais), são dispensados do Exército porque o tio é coronel e, principalmente, falsificam carteirinha de estudante! Este último é o crime que compartilho e confesso, torcendo para que nenhum produtor de show ou dono de rede de cinema leia esse texto. 

A maioria vai pensar "ah, só isso? Todo mundo tem". Pois é. O problema é que sou da opinião de que nenhum Carlos Cachoeira nasce empresário de contravenção. Tudo começa num pequeno e banal gesto e aos poucos as proporções crescem, mas o botão mental do delito já está apertado. Quando reclamamos dos políticos corruptos, vagabundos e caras de pau, não estamos xingando alienígenas mutantes, estamos xingando gente da gente. Brasileiros como nós, que dão um jeitinho quando têm chance, num é mesmo? E em Brasília, as chances são muitas. Mas, e sempre tem um "mas", depois de tanto ouvir um argumento, ele começou a convencer meus neurônios anticapitalistas, e eles fizeram mais sinapses na minha cabeça do que os neurônios morais.


Os últimos shows que me interessaram e deixei de ver por causa do preço, em São Paulo, custavam todos cerca de R$ 200, no mínimo, pelo menos para não ficar sentado atrás da pilastra ou de costas para o palco (o descaramento é tanto que divulgam ingressos com “visão parcial”... Desrespeito total com o público). E peças de teatro então? Basta ter um ator global no casting que os preços chegam a R$ 80 facilmente. E depois aparecem por aí, inclusive esses mesmos atores, dizendo que é preciso estimular a ida ao teatro. Como? Cobrando um valor fora da realidade? Surgem até aqueles dizendo que o povo não gosta de cultura. Gosta sim! Basta ver o sucesso da Virada Cultural para ver se o povo não gosta. Não que tudo tenha que ser gratuito, gostamos de pagar artistas que merecem, mas queremos pagar o que é justo!

Podem me dar todas as justificativas matemáticas das margens de lucro de um, de outro etc. E sabemos como grandes produções podem ter custos mais altos. Sabemos também, que um bom CD, bem feito, bem gravado, bem promovido e distribuído pode ser vendido tranquilamente a R$ 15. Mas há CDs simples, com dez músicas, que custam até R$ 60! Pra piorar, os impostos que influenciam toda essa indústria cultural também nos esfola todo dia em produtos e serviços que pagamos. O Brasil tem a 14º maior carga tributária do mundo, e entre os 30 países que mais cobram, temos o pior desempenho em retorno de serviços públicos à população, isso segundo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Diante dessa insanidade legal e criminosa de empresários que exploram e sugam o dinheiro suado do trabalhador honesto (afinal, trabalhador honesto raramente fica rico), fui convencido a ter minha carteirinha de estudante, não sendo mais estudante, lesando em percentagens milésimas todo esse sistema. É minha contradição: sou corrupto, mas sou contra.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Juízes querem justiça, mas não contra eles


Raul Seixas cantou que a solução era alugar o Brasil. Naquele tempo, éramos mais dependentes da economia internacional do que hoje. Todo mundo pensava que a injeção de dólares resolveria os nossos problemas. Hoje, com o País estabilizado, moeda forte, inflação (quase des...) controlada e palco de Copa do Mundo e Olimpíadas, dinheiro definitivamente não é mais o problema, e sim sua gestão. Nesse quesito, é natural apontar a culpa para nossa digníssima classe política que, diariamente, vomita coisas como as “famiglias” Rorizes e Sarneys bem na boca da gente, sem o menor constrangimento. Somos feitos de idiotas, palhaços, trouxas, todos os dias, e assim vamos levando... 

No Brasil, a presidente Dilma Rousseff, por sua iniciativa ou não, vem sendo bem mais intolerante do que todos os presidentes anteriores (sim, todos) no que se refere à corrupção nos altos escalões do Governo. Nos primeiros 12 meses de governo, sete ministros foram demitidos. A rédea dela é mais curta. Dilma faz isso de maneira arriscada, pois ser intolerante com todos poderá fazer com que esse “todos” paralise o governo, e ela fica isolada, fraca. É o que acontece quando realmente se pratica a intolerância diante de um caso de corrupção descoberto.


Essa tal faxina é um ato de extrema coragem, tem alto valor histórico e emblemático. Ela tenta mostra que o País não vai mais aceitar roubalheira, palhaçada, vagabundagem no Poder. Roubou? Sai. Facilitou? Sai. Não sabe explicar? Sai. Tem que ser assim mesmo. Já é um começo. Mas, além dos políticos, acho que vale muito à pena começarmos a ver que, muitas, muitas vezes, quem nos faz de idiotas, sem o menor constrangimento, é o Poder Judiciário.

STF em outra realidade

Na total contramão dessa tendência, temos o nosso ilustríssimo Superior Tribunal de Justiça (STF), no qual 11 semi-deuses determinam os rumos dos temas mais polêmicos, desencadeando decisões similares em todos os tribunais do Brasil. Ou seja, o que sai dali, na prática vira lei. Só pra lembrar duas gigantes lambanças desses entogados hipócritas, covardes: 

1) Livraram o boa-praça, gente fina e exemplo de honestidade Jader Barbalho, de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, e ele assumiu seu cargo de senador tranquilamente, dia 28 de dezembro, em excelentes condições para exercer sua honestidade por mais oito anos (o que tem na cabeça dos paraenses?). Vão dizer que foi tudo dentro da lei, segundo o regimento etc. Mas será possível que ninguém percebeu que a lei é usada contra os interesses do País? Que foram usadas artimanhas legais para facilitar pro Jaderzinho? O STF não sabe que o cara é acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, desvio de verba pública, já foi até preso pela Polícia Federal e renunciou ao antigo mandato de senador pra não ser cassado (motivo da Lei Ficha Limpa)? Acham mesmo que ele pode ser um senador normal? Ou o que prevaleceu, de fato, foi a baixaria? Melhor assumir de uma vez. “Sim, somos corruptos, amigos dos amigos, juízes que decidem segundo critérios que não são os mesmo da sociedade, à qual tínhamos que servir”. Pronto. Seria mais honesto. 


Lambança número 2) Reduziram os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), único órgão, além das corregedorias corporativistas chapa-branca, que pode investigar juízes. Órgãos de defesa dos juízes dizem que estão fazendo devassa. Podem usar o termo que quiser, mas investigar 270 mil magistrados, incluindo familiares (claro), é parte do processo de ver se há movimentações financeiras suspeitas. E afinal, quem não deve não teme, certo? Se acham que alguns receberam dinheiro a mais de uma antiga dívida trabalhista, então deixem-se investigar oras, até pra provar que não receberam! Mas, o CNJ já não pode investigar mais. Bom né? Esses juízes só nos enchem de orgulho...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O direito de Osama

O que será que acontece se eu for à Espanha, cometer um crime bem escabroso e sumir pelo mundo? Bom, provavelmente o exército espanhol vai me rastrear onde for, me achar e acabar com a minha vida. Simples assim. O que acontece se um marroquino vier ao Brasil, deixar bombas e causar centenas de mortes em São Paulo e desaparecer? Na mesma hora, nosso exército vai caçar o cara até achá-lo na Argélia e metralhá-lo, com o aval da Dilma. Interessante não é? Histórias assim poderiam ser adaptadas para o cinema, talvez como uma aventura do século XIX no velho-oeste norte-americano, em terras sem lei (e já sem índios). Será mesmo desse jeito que se resolvem crimes internacionais?

Quando um país age assim, fica claro um comportamento ignorante, retrógrado e abusivo. Afinal, existe a Interpol (polícia internacional) e diversos outros mecanismos que possibilitam a busca e prisão de criminosos multinacionais, a partir da cooperação de polícias, exércitos, embaixadas, e os países atuando em conjunto. Mas, para os Estados Unidos é diferente. Tudo bem, ninguém contesta a legitimidade da perseguição por Osama Bin-Laden durante dez anos em todos os cantos da Terra. O cara arquitetou ataques que, se levados a cabo integralmente, seriam mortos muito mais de 3 mil americanos. O barbudo malévolo mais sereno já visto (quem achar uma imagem de Osama com cara de mau, me mostre) deu um perdido fenomenal e conseguiu sobreviver por aí, incólume e impune por todo esse tempo. O que, no entanto, merece ser repudiado com toda a força (e a mídia não deu nenhum sinal nesse sentido, muito pelo contrário) é o fato de que Osama não teve a chance de se defender.

Bin-Laden: sorriso meigo
Calma! Antes que venham dizer que as pessoas que trabalhavam do WTC também não tiveram chances, respondo que tudo é uma questão de perspectiva. Para ficar num único exemplo: Em 29 de maio de 2011, um ataque de tropas americanas matou 14 civis inocentes na província de Helmand, no Afeganistão, incluindo duas mulheres e 12 crianças. Eles também não tiveram chances. Mas o que acontece em relação a um assassinato assim? Nada. O pobre presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, desabafou: “Já foi dito em repetidas ocasiões aos Estados Unidos e à Otan que suas operações unilaterais e inúteis causam a morte de afegãos inocentes e que tais operações violam os valores humanos e morais, mas parece que não escutam”. Não escutam mesmo. O mundo não considera pessoas que não são de países ocidentalmente civilizados como, propriamente, pessoas. São seres vivos menores, podem morrer aos borbotões. Não fazem diferença. Agora, se morrem europeus caucasianos, americanos, aí é um crime bárbaro. Queria ver se fosse aqui. Iríamos aceitar bombardeios gringos matando a gente numa boa?

Stay Puft

O século XX reservou uma lição para a humanidade quando foi palco da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, pois possibilitou uma resposta como o Tribunal de Nüremberg, mostrando como se faz quando a questão é punir de forma legal (Ok. Há controvérsias, pois foram atribuídos crimes que não eram tidos como tal à época. Mas, mesmo assim, justiça foi feita e provas não faltaram) gente que provocou crimes contra a humanidade, assassinatos em massa, escravização, pilhagens, entre outros. Essa história é roteiro de dezenas de filmes e documentários e, teoricamente, todos já tínhamos aprendido.

Nüremberg encerra festa nazista
Para os Estados Unidos, crimes são resolvidos como no tempo de Hamurabi: olho por olho, dente por dente. O povo da Arábia Saudita, Quênia, Tanzânia, Iêmen, Tunísia, Marrocos, Indonésia, Reino Unido, Egito, Jordânia e Argélia perderam a chance e o direito de colocar Bin-Laden no banco dos réus e participar de seu julgamento, em Haia, pois ele comandou crimes em todos esses lugares. Centenas morreram em cada um desses países. Os americanos não são pessoas especiais. Os EUA estão se parecendo, cada vez mais, com o Stay Puft, o monstro de marshmallow que aparece no filme Caça-Fantasmas. Tem a aparência meiga, mas é grande, bobo, desajeitado e quer matar todo mundo.

Apesar do exemplo americano de imperalismo, ignorância e desdém pelos outros povos, podemos olhar para a Sérvia e ver como o ex-general Ratko Mladic, ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia e homem mais procurado da Europa, foi preso depois de 15 anos foragido, e será extraditado e julgado por crimes de guerra e genocídio (mais de 8 mil mortos, talvez mais do que todos os crimes de Bin-Laden) no Tribunal Penal Internacional de Haia. É disso que estamos falando! Temos que exaltar os sérvios, que passaram por atrocidades ao longo das décadas, mal experimentaram a democracia, e dão um banho de civilização.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Preconceito, homofobia e bullying. Tudo misturado


Polêmica é o sobrenome do debate sobre o homossexualismo. Não tem jeito. A polícia do “politicamente correto” impede muita gente de falar o que realmente pensa sobre isso, passando uma falsa impressão de que todos aceitam e ninguém é a favor das ideias do Jair Bolsonaro. É, na verdade, um tema alçado aos níveis do aborto, pena de morte e fé x ciência, no quesito “discussão sem fim”, principalmente no que diz respeito a saber se é uma questão de opção, decisão, ou sentimento inato. Há defensores de todas as teses e que estão em todos os times. Mas, como sou chegado a um belo debate desses que não acabam até alguém (talvez, por que não, eu mesmo?) se convencer, vou aqui cutucar mais uma vez esse vespeiro.

Antes, deixo clara aqui minha opinião resumida: Não sou apologeta do homossexualismo; não vou torcer para ter um filho que seja; não vou estimular; se tiver, vou aceitar com amor; sou contra preconceito pelo simples fato de alguém ser homossexual. Enfim, existe o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/06, que busca incluir a homofobia junto aos crimes de preconceito, aqueles que a gente lê na plaquinha dentro do elevador. Querem evitar manifestações ligadas a isso, o que é altamente justificável. Mas, todo mundo sabe que quanto mais específicas forem as leis, mais específico será o tratamento e mais específico será o olhar da sociedade sobre os beneficiados. Incluir o termo “homofobia” na lei, portanto, não vai mudar absolutamente nada.

Se formos seguir essa lógica, deveriam então incluir na lei o termo “baianofobia”, que são altamente discriminados em São Paulo. Deveriam colocar “paraíbofobia”, no Rio, pelo mesmo motivo. Incluam logo “bolivianofobia”, “judeufobia” (aí já tem uma palavra só pra eles), “branquelofobia”, “gordofobia”, “magrelofobia”, “carecofobia”, “tímidofobia”, “estranhofobia”, “paraplégicofobia” etc. É enorme a lista das vítimas de piadas e preconceito, que são, na realidade, bullying em diversos níveis. No entanto, esses daí não terão, jamais, um movimento de “orgulho gordo”, por exemplo. Percebem? Ora, homofobia é preconceito e se algo deve ser combatido é todo e qualquer tipo de preconceito. Isso sim seria positivo para a sociedade inteira, e não só para os homossexuais.

Por outro lado, imaginemos o mundo politicamente correto, como seria bem sem graça... O Costinha, se fosse vivo, atualmente estaria sofrendo com campanhas negativas na Internet e risco de ser linchado na rua porque sempre contava piadas que começavam: “Tinha lá uma bichinha...”, e ia fazendo seus trejeitos e tal. O povo morria de rir. O negócio é ter equilíbrio. Saber aguentar uma piada e rir de si mesmo também é uma virtude. Piada depende do bom senso de quem conta, local e público. Humilhação pode ser o resultado de uma piada sem bom senso. Enfim... Como já previa, é uma discussão que não terminará tão cedo. Vamos ver onde as coisas “vão dar” (entenderam?).

Obs: Gostaram da ilustração? Ou tá meio...